Agro
Área de soja supera a de arroz na Zona Sul na safra 2022/2023
Rentabilidade da leguminosa é um dos principais fatores para o incremento
Foto: Grégori Bertó - Palácio Piratini - Produção de lavouras de soja geram um custo mais baixo para o produtor
Por Luciara Schneid
luciara.schneid@diariopopular.com.br
Com 153.008,12 hectares plantados na safra 2022/2023, aumento de 20% em relação à safra anterior, a soja superou a área de arroz nos 11 municípios da Coordenadoria Regional Zona Sul do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Foram semeados 137.582,8 hectares de arroz nesta safra, uma queda de 15% em relação à anterior. Mesmo assim, a região produtora é responsável por 16,38% da área cultivada no Estado, que fechou em 839.972 hectares.
De acordo com o coordenador regional da Zona Sul, Igor Kohls, essa é a primeira vez que a área da oleaginosa em terras baixas supera a do cereal. A principal justificativa para esta redução se refere ao custo do arroz. "É uma lavoura com custo inicial bem mais alto do que a soja e o produtor nunca sabe a que valor vai vender o seu produto", diz.
Segundo ele, a região foi uma das primeiras a adotar o sistema de rotação com a soja e hoje os produtores têm uma estabilidade produtiva na cultura. "Com custo menor e preços bem mais atrativos na commodittie, a rentabilidade é muito maior com a soja do que com o arroz, uma migração que ocorre naturalmente", diz. Ele explica que a partir do sistema de rotação, ao plantar o cereal, o produtor sabe que a condição da lavoura será muito melhor, com produtividade maior, já constatada no arroz após a cultura da soja.
A partir do conceito multissafras, o milho também começa a ganhar espaço nas áreas de várzea. Foram plantados 3.495,10 hectares em cinco municípios. "Para ter sucesso na cultura do milho é preciso que seja irrigado", salienta. Segundo ele, a cultura teve início em propriedades maiores e com maior uso da tecnologia, produtores que já têm uma estabilidade na cultura da soja.
Com o valor em alta, o milho também passou a ser um bom investimento para o produtor. Segundo Kohls, o Instituto realiza pesquisas com o grão há mais de dez anos e a cultura é benéfica para o solo por causa da palhada que gera aumento de matéria orgânica, que tradicionalmente é baixa na região. "Temos um pouco mais de três mil hectares de milho em rotação, nem todo ele irrigado mas o produtor segue a tendência de acordo com os preços futuros do grão, de avançar a cada safra também na área do milho".
A colheita do arroz na região em 60% da área deve ser realizada a partir do mês de março, diz o agrônomo. "Algumas cultivares mais precoces devem ser colhidas no finalzinho deste mês", ressalta. Ele torce para que a chuva não venha na hora errada, pois a região possui áreas muito boas tanto de soja quanto de arroz, diz. "Para o arroz, os maiores limitantes são as estradas pois um ventinho seca a lavoura, mas os grãos de soja e milho demoram mais para perder a umidade".
Situação no Estado
A área total semeada com arroz no Estado foi de 839.972 hectares, uma redução de 12% em relação à safra anterior (957.185 ha). Destes, 93% (780.863 ha) foram semeados entre os meses de setembro até 16 de novembro, considerada a época ideal de semeadura.
Entre as cultivares, a Irga 424 RI segue liderando, com 54,2% do total (455 mil ha). Outra cultivar do Instituto, a Irga 431 CL, ocupa 9,2% da área (77 mil ha). Ao todo, o Irga responde por 64,47% das cultivares semeadas no Estado (541.590 ha).
De acordo com o presidente do Irga, Rodrigo Machado, há perdas consolidadas superiores a 14 mil hectares de arroz no Estado, por falta de capacidade de irrigação. "São 120 hectares abandonados/perdidos na região da Campanha, 2.100 ha na Depressão Central e 12.456 ha na Fronteira Oeste.
A área semeada de soja atingiu 505.965 ha, acréscimo de 19%, com destaque para a Zona Sul, que plantou 35,46% a mais, superando a área de arroz.
A maior surpresa foi na cultura do milho, com área semeada de 12.787 ha em terras baixas no Estado. "Para nós foi uma surpresa, esperávamos mais ou menos a metade disso", explicou a diretora técnica do Instituto, Flávia Tomita.
Tomita explica que o milho em terras altas diminuiu a área em dez anos de de 2 milhões de ha em 1990/91 para 800 mil ha em 2020/2021. A produtividade é de 4 toneladas por hectare ou 67 sacos e a cultura tem alta sensibilidade ao déficit hídrico.
Entre as vantagens da cultura em rotação com o arroz, ela cita o mercado e preços atrativos tanto para grãos quanto silagem, mesmos benefícios da rotação com a soja, disponibilidade de infraestrutura de irrigação para minimizar os efeitos do estresse por deficiência hídrica com a garantia de produtividades altas e estáveis. "O milho é mais uma cultura para entrar no sistema de produção, além de possuir déficit no Estado de quatro milhões de toneladas", diz Machado.
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